Ocorre que o karate não se presta ao que chamaremos esporte de massa. Ele tem sim todas as virtudes já conhecidas, e outras mais, mas, como não se consegue tratá-lo como um chiclete, que rapidamente se tira do invólucro e se tem acesso ao gosto (para descartar tão logo passe o sabor), o "gosto" do karate-do só se torna acessível aos que se dedicam intensamente à busca do seu domínio.
Equivale dizer: não há karatekas em cada esquina, porque tornar-se um karateka é um trabalho que implica em uma construção muito maior que simplesmente: "não tenho nada que fazer, vamos para o campinho jogar?".
Se os esportes de massa são o chiclete que se aproveita rapidamente o gosto (e depois se descarta por outro - o modismo), o karate é um coqueiro, cujo fruto está bem alto, em árvores, que, se se quiser aproveitar terá que ter muita força de vontade e determinação para chegar ao fruto, e então muito trabalho para chegar a melhor parte.
Ninguém aprende karate-do sem humildade: pois só este sentimento de reconhecimento das próprias limitações impede a nossa tendência natural de agredir e desprezar tudo que não dominamos facilmente.
Só os humildes terão a paciência de repetir os movimentos até ter um adequado domínio deles e não tentarão fazer o karate "mais ou menos" que os arrogantes querem fazer desprezando toda a história, toda a experiência de todos quantos passaram por aquele movimento antes dele...
Depois da humildade, a outra virtude essencial para o atleta poder progredir dentro do karate-do é a perseverança, ou seja, a constância, a firmeza, a determinação com a qual ele se mantém enfrentando todas as dificuldades que só não existem para quem não está vivendo, mas só tentando aprender a criar raízes e fazer a fotossíntese...
Aqui o karate-do imita a vida e prepara para a vida: tudo tem um preço, e parafraseando o poeta "quem persevera sempre alcança".Na sequência, o atleta que passou por estas etapas chega a um domínio tal de si mesmo, que fica clara para ele algumas diferenças entre ele e os que o cercam, e aí ele começa a desenvolver a outra qualidade dos karatekas: a bondade, que é a expressão útil do respeito e da cortesia, que é a maneira que se combate a maldade que é a ação da presunção e da arrogância para interesses mesquinhos.
Muita gente gostaria de ser um karateka, mas não consegue sufocar o orgulho e a acentuada tendência de impor-se aos demais, por isto o karate-do não é um esporte mais divulgado, ele não foi feito para distrair os olhos, mas para educar as mentes e corações que queiram realmente.
Muito obrigado pelo ensinamento! Oss!
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