As diferenças existentes entre a nossa cultura e a cultura japonesa tornam essa questão muito interessante no sentido de permitir que se expresse o que há de mais importante sobre a sua prática: o seu umwelt, a sua visão de mundo.
Tenho certeza que um aluno do mestre Funakoshi não amava esse caminho, não amava kata, e não amava tudo no karatê. Seu árduo treinamento deixava-o exausto sempre. Fazia-o refletir sobre a finalidade de seu caminho…
E além disso: a cada grau obtido, não haviam sorrisos e fotos. Por que? Porque sua obrigação aumentava. O karateca sabia que ao ser aprovado num exame, aumentava a obrigação com o seu mestre, com o seu Dojo. Agora era necessário corrigir e auxiliar um número maior de karatecas que tinham graus menores que o seu. O número de técnicas a serem absorvidas/mantidas agora era maior, e isso iria exigir mais treinamento (…)
Por que eu treino?
Eu treino porque acredito que um professor, seja de karatê, de português ou de física, deve estar sempre atualizado e preparado para conduzir seu aluno ao próximo degrau na escada do conhecimento.
No caso do karatê, não vai adiantar eu ler um monte de livros ou assistir séries inteiras de filmes sobre artes marciais. O karatê é uma arte que se aprende através da prática. Por isso mantenho a frequência nos treinos e sempre peço para que meu Sensei me corrija. Faço isso para que meus alunos aprendam corretamente. Faço isso para que meu Sensei não pense que está “perdendo seu tempo” ao tentar transmitir-me seus conhecimentos. Faço isso porque algo em mim sempre diz: “- Kime!”
Oss
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